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Leishmaniose: Os impactos do lixo orgânico na saúde pública

  • Foto do escritor: Avenida Agencia de Jornalismo
    Avenida Agencia de Jornalismo
  • 3 de fev. de 2022
  • 13 min de leitura

No Ceará, de janeiro de 2020 a julho de 2021, foram registrados 266 casos em humanos e a doença ainda afeta cerca de três mil cachorros


Por: Hellen Vasconcelos, Mariana Bueno e Ricardo Pereira



Resumo da reportagem

  1. Influência do descarte de lixo orgânico na proliferação do calazar

  2. A leishmaniose visceral é, também, uma preocupação do SUS

  3. Descarte irregular de resíduos impactam na fauna e seus biomas



De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, 37 milhões de toneladas de lixo orgânico são produzidas por ano no Brasil, e apenas 1% do material descartado é reaproveitado. Significa dizer que a maior parte desses resíduos não possuem um tratamento adequado, e o acúmulo dele, além de poluir o meio ambiente, contribui para a proliferação de enfermidades como a leishmaniose, uma doença endêmica no Brasil.


A leishmaniose visceral (LV), conhecida como calazar quando atinge cães, é considerada endêmica no Brasil pois possui casos recorrentes em regiões específicas. De acordo com os critérios da resolução WHA60.13 da Organização Mundial de Saúde (OMS), o país destaca-se negativamente tanto para leishmaniose tegumentar (cutânea) quanto leishmaniose visceral, figurando entre as regiões do mundo com maior número de novos casos.


Dados do DataSUS revelam que, em 2019, ocorreram 2.827 casos no Brasil, sendo 323 no Ceará, configurando o terceiro estado com maior número de casos e o segundo em mortes por LV. No estado, os casos se concentram nas macrorregiões de Fortaleza e Sobral, nos municípios de Fortaleza, Barbalha, Caucaia, Itapipoca e Juazeiro no Norte.



A matéria orgânica é o substrato no qual o flebótomo, vetor da LV conhecido como mosquito-palha, deposita seus ovos e possibilita a larva chegar em seu estágio adulto. O acúmulo de resíduos orgânicos é um fator essencial para a reprodução do inseto transmissor da LV, assim como torna o local propício para abrigar e proliferar vermes, fungos e vírus. Uma série de doenças podem ser causadas devido ao descarte irregular de lixo orgânico, como cólera, leptospirose, cisticercose, peste bubônica, febre tifóide, disenteria entre outras.


Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos de 2019 da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Ceará é o estado nordestino que mais produz lixo, com cerca de 1,06 kg de resíduo produzido por pessoa. No ranking nacional, o estado fica em quarto lugar, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas. Por ano são 2,4 milhões de toneladas produzidas apenas no Ceará, sendo 55,2% do material descartados em locais inadequados.


Em Fortaleza, o descarte incorreto do lixo também é um problema. De janeiro a setembro de 2020, houveram 3.925 denúncias de pontos irregulares com acúmulo de lixo. Nesses locais é comum encontrar de tudo, desde móveis a galhos de árvores ou lixo doméstico. O lixo que é acumulado em casa e recolhido pela prefeitura é em sua maioria, orgânico.


Como reaproveitar ou descartar o lixo orgânico


Lixo orgânico é todo resíduo produzido por um ser vivo, como: restos de frutas, legumes e vegetais, alguns alimentos, folhas secas, cascas de ovos, estercos, entre outros.


A ação de reaproveitamento e descarte começa pela própria população. Um dos passos primordiais é o de separar o lixo reciclável do lixo orgânico. Isso evita que determinados tipos de resíduos sejam depositados em locais inapropriados. Durante esta separação, é importante separar também os rejeitos, ou seja, os resíduos que não podem ser reutilizados, como fraldas descartáveis, absorventes, papel higiênico e preservativos usados.


A ausência do costume de separar os tipos de materiais resulta no depósito de matéria orgânica em lixões e terrenos. Isso pode propiciar, por exemplo, a proliferação de doenças e a poluição do solo, que pode chegar aos lençóis freáticos e contaminar a água que entra em contato com seres humanos e animais.


A segunda etapa se chama compostagem. Ao realizar a separação dos resíduos orgânicos dos demais, pode-se utilizar esta matéria para realizar compostagem. A compostagem é um processo natural de decomposição que transforma os resíduos orgânicos em adubo de boa qualidade. Para isso, precisa-se de uma composteira. Em caso de não possuir uma, existem exemplos de composteiras feitas à mão reutilizando baldes, potes e outros resíduos recicláveis.


É importante lembrar que nem toda matéria orgânica pode ser usada na compostagem, algumas delas são: gorduras animais (como restos de carnes), frutas cítricas em excesso (pela acidez), esterco de animais domésticos, comida temperada, carvão.


Você pode conferir o material completo sobre compostagem, clicando aqui.



Ecopontos em Fortaleza


Em Fortaleza foram implantadas 90 unidades de Ecopontos, contemplando todas as regionais. Apesar de não receber o descarte de lixo orgânico doméstico, existem algumas alternativas de descarte que evitam o acúmulo de matéria orgânica em locais. Nos Ecopontos, podem ser descartados restos de poda de árvores e pedaços de madeira. Outros resíduos não classificados como orgânicos também podem ser descartados nestes pontos, como entulhos e restos de construções, móveis e estofados velhos, óleo de cozinha, papelão, plásticos, vidros e metais.


E para auxiliar o controle do descarte incorreto nos espaços de Fortaleza, também pode-se contar com a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis). A agência realiza ações que evitam o descarte de lixo em áreas inadequadas com o recebimento de denúncias. Além da busca ativa pelas irregularidades na capital cearense, a população também pode denunciar através do telefone 156, pelo site do órgão (denuncia.agefis.fortaleza.ce.gov.br) ou por meio do aplicativo Fiscalize Fortaleza, disponível para Android e iOS.


Leishmaniose visceral em Fortaleza


Segundo o cálculo do Índice Composto de Leishmaniose Visceral, método do Ministério da Saúde para saber quais os bairros dos municípios estão mais vulneráveis, Fortaleza é caracterizada como uma área de transmissão intensa. No gráfico abaixo é possível observar quais os bairros com maior risco de transmissão da doença:




O Coordenador do Controle de leishmaniose no Centro de Zoonoses, Sérgio Franco, explica porque a doença virou uma preocupação para a saúde humana além da silvestre. “O que aconteceu foi que o causador da doença, e o vetor, que é o inseto que transmite a doença, se urbanizou. Quando ele veio pro meio urbano, se adaptou, então a gente entendeu como uma urbanização da doença.”


Sérgio ainda acrescenta que foi esse fator que fez aumentar o número de casos entre a população humana. “Era diferente do meio rural, diferente do meio silvestre. Então, automaticamente o número de casos passou dos duzentos em Fortaleza em cinco anos. E isso é muito quando o parâmetro do Ministério da Saúde classifica em um nível alto, acima de 4.4 casos”, declarou.


De acordo com Nélio Batista, médico veterinário e coordenador da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Fortaleza, a LV é uma das doenças mais negligenciadas do mundo e uma das mais difíceis de controlar, junto com a leptospirose. Além disso, ressalta que a doença possui um componente social muito forte. “Ela [a LV] atinge mais famílias de baixa renda, ela tem a ver com as condições sociais econômicas e as iniquidades sociais. E atinge mais uma faixa etária de zero a quatorze anos, isso quer dizer que não cuidar do calazar é condenarmos crianças pobres à morte."


A ampliação de locais em que há registros da doença é agravada com a degradação ambiental, principalmente pelo desequilíbrio instaurado naquele ecossistema. “Na expansão territorial, há uma preocupação muito grande em relação à enfermidade, porque ela saiu do seu ecossistema natural, a doença do sertão e do sertanejo, e passou a ser do asfalto, do urbano, da capital e do litoral. Mudou todo um perfil. Pelas degradações ambientais que existem no nosso espaço, em outros espaços também”, declara Nélio.


Uma das políticas de prevenção e controle adotadas pela Prefeitura de Fortaleza é o manejo ambiental, feito por meio de educadores de saúde nas áreas mais vulneráveis. Essa ação observa os quintais e terrenos, em busca de matéria orgânica apodrecida, como folhas e frutas caídas, além do acúmulo de restos de comida. Também são realizadas campanhas educativas com a população.


Foto: Acervo do Laboratório de leishmanioses “Prof. Dr. Ralph Lainson”
Foto: Reprodução










Segundo Nélio Batista, em 2013 a cidade de Fortaleza tornou a leishmaniose visceral uma prioridade, pois nos anos anteriores houve um aumento significativo de casos. “Mais de duzentos e vinte, duzentos e trinta casos. Fato que jamais havia ocorrido na história dessa cidade.”


Com essa explosão de casos, a capital cearense precisou ampliar as ações contra a LV, e esse é um dos trabalhos que devem ser realizados com constância para que a doença seja controlada. Nélio Batista afirma que a diminuição dos casos nos últimos oito anos é um resultado da assiduidade no trabalho contra o calazar. “E as ferramentas são limitadas, mas se me perguntarem, qual foi o fator que você considera preponderante para o avanço do controle da cidade de Fortaleza, eu diria que foi a manutenção durante oito anos. Porque esse trabalho sempre sofreu interrupções. Por problemas locais da própria prefeitura, por problemas do Ministério da Saúde e abastecimento de kit de diagnóstico e outras questões de insumos estratégicos.”


Ações de prevenção

A prevenção da doença é a melhor forma de controle e diminuição de casos. Existem algumas medidas de prevenção para impedir a proliferação e contágio do calazar em cachorros e em humanos. A Prefeitura de Fortaleza é um dos órgãos responsáveis por fazer essas campanhas de prevenção, juntamente com os centros de Zoonoses de cada regional da capital. Em agosto deste ano, a Prefeitura lançou uma campanha de distribuição de 90 mil coleiras que agem contra a leishmaniose visceral, em 35 bairros de Fortaleza, nas 6 regionais.


Os bairros que são contemplados pelo programa são classificados como transmissão Alta, Intensa e Muito Intensa. A Coordenadora do Controle de leishmaniose do Centro de Zoonose, Livia Schell, explica como funciona o encoleiramento. “A gente trabalha com saúde pública. Claro que passa pela saúde animal, passa pela saúde ambiental, para chegar na saúde humana, então é baseado realmente onde tem os índices mais altos de transmissão para casos humanos. Então, são 35 bairros da cidade, os nossos agentes vão fazendo as visitas, fazem os exames também para diagnóstico do calazar e vão colocar uma coleirinha que é impregnada com o princípio que chama deltametrina, que vai ter a ação repelente contra o flebótomo que é o inseto que causa o calazar”, declara Lívia.


Além dessa prática, os Centros de Zoonoses em toda a capital possuem dois campos de ação para controlar o contágio da doença: controle dos vetores, ou seja, do inseto que carrega a leishmaniose e os reservatórios urbanos, que são os cachorros. Existem reservatórios no meio silvestre, o habitat natural do flebótomo, mas como explica Sérgio Franco, é impossível controlar a existência desses insetos na natureza. “A zoonose não tem a pretensão de controlar ou de eliminar os vetores, porque causaria impacto muito negativo na natureza. Então a gente tem uma ação em relação [ao vetor] mas sem a pretensão de controle.” Já para controlar o contágio nos caninos, os centros optam pela eutanásia quando não há possibilidades de tratamento, seja pelo estado do animal ou pela condição financeira dos tutores. Mas quando a situação é controlável, a medicação é uma opção para que o cachorro não seja mais um reservatório da doença.


Contaminação e tratamento








































































Existe tratamento para a leishmaniose, embora não haja cura. Segundo Genil Mororó, bacharel em Ciências Biológicas pela UFC e mestre e doutorando em Parasitologia pela UFMG, existem várias formas de prevenir a infecção, e elas funcionam melhor quando são usadas em conjunto, e para ele, uma não dispensa a outra. Entretanto, quando falamos de tratamento, o assunto é mais delicado. Se mesmo assim [com todas as medidas de prevenção aplicas] um cachorro se infectar, há duas possibilidades: primeiramente, a eutanásia do animal, que é utilizada como medida pública para o controle da doença. Alternativamente, em 2016 foi aprovado o uso da miltefosina para o tratamento de cachorros com leishmaniose . Contudo, o tratamento é bastante caro, podendo chegar a mais de R$ 40 mil para cachorros grandes”, explica o parasitologista.


O tratamento de humanos para leishmaniose visceral é disponibilizado gratuitamente pelo SUS. Os medicamentos mais utilizados são os antimoniais, que apresentam toxicidade cardíaca e hepática, o que pode exigir que o paciente fique internado para acompanhamento. O tempo de tratamento é longo, podendo durar de 20 a 40 dias de injeções intramusculares diárias ou aplicação intravenosa.


Há também uma vacina contra a leishmaniose canina, a Leish-Tec. Ela é capaz de reduzir mais de 50% da taxa de infecção. Contudo, se o animal vacinado é infectado pela doença mesmo assim, ele ainda pode infectar o vetor, e ser um reservatório urbano, explica Genil. “Para diminuir o contato do cachorro com os flebotomíneos, atitudes básicas, como deixar o cachorro dentro de casa a partir do pôr-do-sol até o amanhecer podem ser úteis. Também existem disponíveis coleiras impregnadas com inseticidas (Scallibor e Seresto), que funcionam como repelentes”, acrescenta o biólogo.


Apesar da existência dessa vacina, esse método não é realizado pelo sistema público, porque não tem nenhum estudo de eficácia e redução de casos humanos. O insumo necessita de 3 doses com um intervalo de 21 dias entre as aplicações, além de reforços anuais. “É muito difícil você conseguir vacinar duzentos e cinquenta mil cães aproximadamente com três doses. Quando houver uma possibilidade dessa vacina ser dose única, como é a antirrábica, eu tenho certeza que o Ministério [da Saúde] vai bancar”, explica Sérgio Franco, Coordenador do Centro de Zoonoses.


A imunização segue sob a gestão do Ministério da Agricultura, pois a doença ainda é uma questão animal. O Coordenador do Controle de leishmaniose afirma que para o Ministério da Saúde a causa ainda não faz diferença já que os casos caninos ainda não refletem nos casos humanos.


Entre a perda e a esperança


Não havendo tratamento para a leishmaniose visceral canina realizado gratuitamente pelo sistema público, a eutanásia torna-se uma das poucas e dolorosas opções para alguns tutores de animais infectados pela zoonose. Além de ser considerada uma doença potencialmente letal se não tratada, seu processo médico para tratar o animal não é financeiramente acessível.


O tratamento do calazar requer o custeamento de um coquetel de vários medicamentos, como antibióticos, vitaminas e suplementos, além do uso de repelentes e realização de exames periódicos. Apesar da impossibilidade por questões financeiras, alguns tutores buscam outras formas de tratar esta zoonose em seus animais, como é o caso da estudante de psicologia Maria Clara Albuquerque, 21, e a cadela Flora, com idade entre 5 e 6 anos. Apesar de não ser a tutora direta de Flora, Maria Clara foi responsável por conseguir a adoção do animal e realizar ações de arrecadação financeira para o tratar a doença da cadela que vivia nas ruas.


Sem lar fixo, cuidados médicos e higiene, Flora e todos os animais em situação de abandono nas ruas tornam-se vulneráveis ao calazar e outras doenças. Maria Clara comenta sobre as más condições das ruas onde a cadela costumava habitar antes de sua adoção. “O mais perto da comodidade que ela tinha era a alimentação que a dávamos durante o dia e, com um tempo, uma das nossas vizinhas passou a deixá-la dormir em sua casa, mesmo que também não pudesse adotá-la”, retala. Mesmo com alguns cuidados tomados por moradores das proximidades, na maior parte do tempo Flora estava exposta nas ruas, em locais propícios para o contágio da doença.


A estudante relata sobre o período delicado após o diagnóstico do calazar, afirmando que o tutor de Flora chegou a acionar a eutanásia no Centro de Zoonose, por não possuir condições financeiras de tratá-la e por medo de contrair a doença. Na tentativa de custear o tratamento, a jovem garante que “essa foi com certeza a parte mais difícil e ainda é. A Flora precisou tomar várias vitaminas, suplementos e uma medicação que custou mais de R$800,00, mas recebemos muita ajuda. Inicialmente, a arrecadação foi só entre a família, quem podia ajudava e fomos dando um jeito, mas quando ela passou para a clínica particular [...] precisamos buscar outros meios”.







Foto 1: Cadela Flora antes do tratamento, após a primeira punção medular realizada, para confirmar o diagnóstico da leishmaniose

Foto 2: Flora com curativos, durante o tratamento

Foto 3: A cadela em seu primeiro dia de alta médica, após o tratamento




A partir disso, alguns prêmios foram doados para a realização de uma rifa, que arrecadou mais de R$1.200,00 com vendas e doações. O tratamento foi feito e agora Flora está imunologicamente bem. “Foi tudo muito difícil, mas o cuidado foi dividido, a Flora ganhou uma família muito grande que até agora cuida dela. Agora a Flora vive quase como se não tivesse mais calazar, clinicamente ela está bem, mantendo todos os dias uma boa alimentação e tomando medicação”, conclui a estudante.


Esperança redobrada


Rita, nome fictício para a tutora que não quis ser identificada, é dona de dois cachorros que também passaram pelo tratamento e obtiveram sucesso. A mais velha chama-se Lua, de 8 anos, e o mais novo, Messi, de 3 anos. A estudante de 21 anos conta que Messi foi abandonado, provavelmente por conta do calazar. A família de Rita o resgatou para devolvê-lo aos donos, mas como os mesmos nunca apareceram, ela assumiu a sua tutoria.



Foto 4: Messi no dia em que foi resgatado


A estudante descobriu que o cachorro havia contraído a leishmaniose quando o levou ao Centro de Zoonoses para fazer exames de rotina, e testou positivo para o exame de calazar. Com essa descoberta, também buscaram testar a cadela Lua, de 8 anos, que já estava na família há anos para realizar o exame, que também obteve diagnóstico positivo.



Foto 5: Lua no mês em que foi diagnosticada com leishmaniose


Rita comenta, ainda, que depois do diagnóstico feito pelo Centro de Controle de Zoonoses, os profissionais indicaram a eutanásia. “Quando você vai na zoonose eles não dão muita informação sobre tratamento. Eles já falam logo em sacrificar. Mas a gente nunca pensou nisso. Até porque a Lua estava há oito anos com a gente, estávamos muito apegados e os dois cachorros estavam aparentando estar muito saudáveis.” Ela continua o seu relato informando que procurou tratamento por conta própria, e até hoje os dois caninos tomam uma medicação para manter a infecção sob controle e não transmitirem para outros cachorros.


A estudante afirma que, no começo de tudo, ficou abalada pelos cachorros infectados e preocupada porque além da Lua e de Messi, possuía mais dois cachorros em casa que precisaram tomar as três doses da vacina contra o calazar, e todos passaram a usar a coleira repelente contra a leishmaniose. Rita conta, ainda, sobre sua preocupação pelos dois cachorros infectados necessitarem tomar remédios para sempre, mas afirma que, em prol da recuperação e bem estar destes, a mesma o faz sem problema algum. Atualmente, ambos se encontram recuperados, com saúde e vidas normais.



Foto 6: Messi atualmente


Foto 7: Lua nos dias atuais


Ao final da entrevista, a tutora de Lua e Messi contou sobre o desconforto que a desinformação sobre a leishmaniose na sociedade causa. “Eu não me sinto confortável de falar para todo mundo [que os animais ainda convivem com o calazar], tem gente da família que não sabe até hoje. Não é nem por vergonha, é por preguiça mesmo de explicar porque as pessoas persistem em dizer: pegou o calazar pronto é morte, tem que sacrificar e pronto. Mas hoje eu estou bem mais tranquila com isso”, conclui.


Serviço


Além de todas as medidas que podem ser tomadas pelos tutores dos animais, como o encoleiramento, a vacina e as ações públicas, disponibilizamos um mini-guia com 4 passos para você que suspeita do contágio da leishmaniose no seu animal, em você ou conhecidos, e até mesmo em animais em situação de abandono.



Outros impactos à fauna


Além da leishmaniose , outros transtornos e desequilíbrios ambientais são causados pelo descarte incorreto de resíduos sólidos e matéria orgânica. Os animais, por sua vez, são afetados de diversas formas. Conheça alguns destes outros problemas para a fauna:



Como fizemos


Os dados utilizados para gráficos sobre a leishmaniose visceral em Fortaleza foram obtidos com a Coordenadoria de Vigilância em Saúde, equipamento da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS).


Entrevistas com o Centro de Zoonoses e com a Coordenadoria de Vigilância em Saúde foram marcadas previamente por email e realizadas de forma presencial, respeitando as medidas sanitárias que o momento pandêmico necessita.


Entrevistas com o biólogo Genil Mororó e a estudante Maria Clara foram realizadas de forma remota, por meio de troca de mensagens.


A apuração de outras informações foi feita através de extensa pesquisa no meio digital, consultando sites e documentos oficiais, além de revisão de notícias locais.



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