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A montanha que não para de crescer

  • Foto do escritor: Avenida Agencia de Jornalismo
    Avenida Agencia de Jornalismo
  • 1 de fev. de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 3 de fev. de 2022


O lixo eletrônico é uma ameaça para todos


Por Erico Cardoso, Carolina Parente e Izabel Tinin



Anualmente, mais de 53 milhões de toneladas de equipamentos eletroeletrônicos e pilhas são descartadas em todo o mundo, segundo o The Global E-waste Monitor 2020, enquanto o número de dispositivos no mundo cresce cerca de 4% por ano. Apesar disso, os países que mais produzem esse tipo de lixo são os que menos sofrem.


Um estudo realizado pelas Nações Unidas em 2020 aponta os países de primeiro mundo como os maiores produtores de lixo eletrônico, tendo a Noruega no topo. Um norugeguês descarta em média, por ano, 28kg de e-waste. O destino do lixo é incerto, podendo ir para lixões nas cidades, transportado para o Leste Europeu, África ou Ásia.


Ao chegar nesses locais, é manuseado de forma primitiva e sem o equipamento de proteção adequado. Muitas vezes, para retirar o que tem dentro (podendo ser cobre ou outros metais), os produtos são queimados e as fumaças geradas podem ser letais se aspiradas em locais fechados ou por muito tempo. O professor do Instituto Federal do Ceará, Humberto Junior, conta que o lixo eletrônico acaba se tornando impossível de reciclagem, apesar da facilidade. Para ele, é uma “falha grande no planejamento e organização dos estados e municípios” e que “a legislação prevê a logística reversa, onde as empresas se tornam responsáveis pelo descarte ou reciclagem do material, mas que passa batido”.


Como mostra o documentário realizado pela RT, canal russo de documentários, crianças realizam esses serviços de forma precária.





Também chamado de e-lixo, o lixo eletrônico consiste em resíduos de produtos eletrônicos, como celulares, computadores, geladeiras, televisores, monitores, etc, sendo o e-waste o descarte inadequado desse tipo de material. O despojo desses produtos podem se dar por vários motivos, desde o não funcionamento do aparelho, a obsolescência programada ou simplesmente o desejo de obter um novo produto da moda.


O Brasil gera cerca de 1,5 milhão de toneladas de lixo eletrônico todos os anos, mas apenas 3% desse conteúdo é descartado corretamente. Segundo o portal Green Eletron, organização sem fins lucrativos sediada em São Paulo e fundada em 2016 pela Associação Brasileira da Indústria Eletro e Eletrônica (Abinee), o e-waste pode ser categorizado em quatro tipos:







Os componentes desses produtos, como o ouro, presente nas placas de celulares e computadores, e o lítio, presente em baterias, podem causar sérios danos ao meio ambiente. Além disso, nesses produtos existem outras substâncias que demoram milhares de anos para se decompor, como o plástico presente em secadores de cabelo, de forma que o descarte irregular desses aparelhos torna-se um impasse à sustentabilidade do planeta.


A preocupação com o aquecimento global, tema amplamente discutido na COP-26 em novembro de 2021, levanta questões importantes sobre os rumos que o mundo tomará em prol do desenvolvimento econômico e social mais sustentável.


Nesse sentido, magnatas como Elon Musk buscam cada vez mais investir em energia renovável. A Tesla, montadora de carros da qual é proprietária, fabrica veículos elétricos, sem falar das conquistas da SpaceX que, graças ao investimento estatal da NASA, hoje é capaz de pousar foguetes e reutilizá-los, evitando o descarte das partes.


Problemática em Fortaleza


Em Fortaleza, o técnico de informática Rustens Mota, 40 anos, há 11 faz o reparo de computadores e notebooks. Na empresa em que trabalha, existe um local onde podem ser descartados de forma correta os materiais que não tem conserto para que, em seguida, estes sejam reciclados em um local apropriado.


Segundo ele, as pessoas sabem como realizar o descarte de forma correta de materiais eletrônicos, mas que deve ser intensificado o acesso a informações sobre como efetuá-lo. “Mais informações em formato impresso em locais de mais acesso, e mais material digital em grupos de WhatsApp corporativo. Divulgações externas informando o descarte correto desses materiais e os malefícios causados desse descarte no lixo comum ao meio ambiente”, aponta como possíveis soluções para a desinformação.


O descarte irregular de lixo eletrônico acarreta uma série de malefícios, como o aumento de doenças respiratórias, risco de câncer elevado, poluição atmosférica e contaminação de rios e lençóis freáticos. Para tentar minimizar o problema, empresas especializadas em informática, como a Ibyte, oferecem um serviço de coleta de e-lixo.


A Lei Federal nº 12.305, de 02 de agosto de 2010, estabelece diretrizes de descarte de resíduos eletrônicos, onde fica determinado que empresas devem cuidar, remover e descartar de forma sustentável seu próprio lixo. Entretanto, a lei não especifica como estados e municípios devem lidar com essa problemática.


O sistema de coleta desses resíduos em Fortaleza ainda é embrionário. Existem, em todas as regionais, diversos Ecopontos onde as pessoas podem realizar a coleta seletiva em troca de créditos no Bilhete Único ou desconto na conta de luz. No entanto, esses locais não estão preparados para receber resíduos de lixo eletrônico.


Sérgio Lima, artista plástico, técnico em Informática e graduando em gestão ambiental, acredita que Fortaleza esteja evoluindo quando se trata de descarte de materiais eletrônicos recicláveis. “A Prefeitura estimula cada vez mais o cuidado com a cidade, mas ainda deixa a desejar. Por isso, precisamos trabalhar detalhadamente”, conta. Para ele, o e-lixo detém peculiaridades que dificultam seu descarte e, consequentemente, sua reciclagem.


Lima é criador do projeto Resíduo Tecnológico Sustentável – com a colaboração da arte-terapeuta Ray Ferreira. Movimentos artísticos como esse são um pontapé inicial para transformar o que poderia ir para um lixão em arte, como fez para o Shopping Benfica no Natal de 2021, cuja “Árvore da Transformação” foi criada a partir de 815 monitores reciclados, produzindo um efeito com películas reversores, economizando aproximadamente 3 mil lâmpadas.






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